A Norma Regulamentadora 17 é a NR de ergonomia. Ela estabelece os requisitos para adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, e se organiza em oito capítulos — do 17.1 ao 17.8 — mais dois anexos, de checkout e de teleatendimento.
Este é o resumo da norma item a item, com o texto oficial citado, o que cada capítulo exige e onde a sua empresa entra. A NR 17, também escrita NR-17, está em vigor na redação de 2021.
Norma Regulamentadora 17: o que é e a quem se aplica
O objetivo está na primeira linha da norma. O item 17.1.1 diz que a Norma Regulamentadora 17 “visa estabelecer as diretrizes e os requisitos que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente no trabalho”.
Repare na direção da frase: é o trabalho que se adapta à pessoa, não o contrário. Toda a norma decorre disso.
O que entra nessa conta está no 17.1.1.1: levantamento, transporte e descarga de materiais, mobiliário dos postos de trabalho, trabalho com máquinas, equipamentos e ferramentas manuais, condições de conforto no ambiente e a própria organização do trabalho.
O campo de aplicação, no 17.2.1, é amplo: alcança todas as situações de trabalho de organizações e de órgãos públicos da administração direta e indireta, além dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público que tenham empregados regidos pela CLT.
Circula muito conteúdo anunciando “NR-17 atualizada 2026”. Conferimos o cabeçalho oficial da norma: a redação em vigor foi dada pela Portaria MTP nº 423, de 07/10/2021, publicada no DOU em 08/10/2021.
A última alteração é a Portaria MTP nº 4.219, de 20/12/2022, e ela mudou apenas a nomenclatura: “CIPA” passou a ser “Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e de Assédio” nos anexos, acompanhando a Lei nº 14.457/2022. Depois disso, nada.
A NR 17 item a item
A norma tem oito capítulos e dois anexos. A tabela abaixo é o mapa completo.
| Item | Capítulo | Do que trata |
|---|---|---|
| 17.1 | Objetivo | Adaptar as condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores. |
| 17.2 | Campo de Aplicação | Todas as situações de trabalho de organizações e órgãos públicos com empregados celetistas. |
| 17.3 | Avaliação das situações de trabalho | A avaliação ergonômica preliminar, as quatro hipóteses que exigem AET e as etapas da análise. |
| 17.4 | Organização do trabalho | Normas de produção, modo operatório, exigência de tempo, ritmo, conteúdo das tarefas, aspectos cognitivos, pausas e orientação das chefias. |
| 17.5 | Levantamento, transporte e descarga individual de cargas | Limites, organização dos locais de pega e depósito e distância de alcance. |
| 17.6 | Mobiliário dos postos de trabalho | Regulagens, alternância entre em pé e sentado, planos de trabalho, apoio para os pés e requisitos mínimos dos assentos. |
| 17.7 | Trabalho com máquinas, equipamentos e ferramentas manuais | Interface com o operador, painéis de controle e comandos, em consonância com a NR-12. |
| 17.8 | Condições de conforto no ambiente de trabalho | Iluminação, conforto acústico e conforto térmico. |
| Anexo I | Trabalho dos operadores de checkout | Supermercados, hipermercados e comércio atacadista. |
| Anexo II | Trabalho em teleatendimento/telemarketing | Call centers e centrais de relacionamento, ativo e receptivo. |
Vale um destaque no 17.4.1, alínea “f”: a organização do trabalho deve levar em consideração “os aspectos cognitivos que possam comprometer a segurança e a saúde do trabalhador”. A Norma Regulamentadora 17 não se esgota em cadeira e bancada — ritmo, tempo e carga mental estão no texto.
Os dois anexos: checkout e teleatendimento
Os anexos da Norma Regulamentadora 17 não são apêndices decorativos: são conjuntos próprios de requisitos, e quem está no campo de aplicação deles cumpre a norma geral e o anexo.
O Anexo I trata do trabalho dos operadores de checkout e, pelo seu item 2.1, aplica-se “às organizações que desenvolvam atividade comercial utilizando sistema de autosserviço e checkout, como supermercados, hipermercados e comércio atacadista”. Seus sete capítulos cobrem objetivo, campo de aplicação, posto de trabalho, manipulação de mercadorias, organização do trabalho, aspectos psicossociais do trabalho e informação e capacitação dos trabalhadores.
Um exemplo do nível de detalhe: o item 3.1 do Anexo I exige que o mobiliário do checkout, incluindo distâncias e alturas, atenda às características antropométricas de 90% dos trabalhadores, respeitando os alcances dos membros e da visão, assegure a postura de trabalho sentada e em pé com posições confortáveis dos membros superiores e inferiores, e respeite os ângulos limites e as trajetórias naturais dos movimentos.
O Anexo II trata do teleatendimento e do telemarketing, “nas modalidades ativo ou receptivo, em centrais de atendimento telefônico e/ou centrais de relacionamento com clientes (call centers)”. É o mais extenso dos dois, com onze capítulos: mobiliário, equipamentos, condições ambientais, organização do trabalho, capacitação, condições sanitárias e de conforto, PCMSO e AET, pessoas com deficiência e disposições transitórias.
Atenção ao alcance. O item 2.1.1 define call center como o ambiente de trabalho cuja principal atividade é conduzida via telefone e/ou rádio com utilização simultânea de terminais de computador — e o 2.1.1.1 é explícito ao dizer que o Anexo se aplica inclusive a setores e postos de trabalho dedicados a essa atividade dentro de organizações cuja atividade-fim é outra. Não é preciso ser uma empresa de telemarketing para cair nele.
O nível de detalhe também é outro. O item 4.1 exige o fornecimento gratuito de conjuntos de microfone e fone de ouvido (headsets) individuais que permitam ao operador alternar o uso das orelhas ao longo da jornada. E o item 3.1, que remete ao capítulo 17.6 da norma geral, acrescenta requisitos próprios: superfícies de trabalho reguláveis em altura em um intervalo mínimo de 13 cm, bancada com profundidade mínima de 75 cm sem material de consulta e de 90 cm com material de consulta, zonas de alcance manual de no máximo 65 cm de raio de cada lado, bordas arredondadas e apoio para os pés quando o operador não alcançar o piso mesmo depois de regular o assento.
Avaliação das situações de trabalho: AEP e AET
O capítulo 17.3 é o coração operacional da Norma Regulamentadora 17, e é onde mais se erra. Há dois instrumentos diferentes, com gatilhos diferentes.
A avaliação ergonômica preliminar vem do 17.3.1: a organização deve realizá-la nas situações de trabalho que, “em decorrência da natureza e conteúdo das atividades requeridas, demandam adaptação às características psicofisiológicas dos trabalhadores”. Ela pode ser qualitativa, semiquantitativa, quantitativa ou uma combinação, conforme o risco (17.3.1.1), pode ser contemplada nas etapas de identificação de perigos da NR-1 (17.3.1.2) e deve ser registrada (17.3.1.2.1).
Pelo 17.3.2, a Análise Ergonômica do Trabalho é devida quando:
a) observada a necessidade de avaliação mais aprofundada da situação; b) identificadas inadequações ou insuficiência das ações adotadas; c) sugerida pelo acompanhamento de saúde dos trabalhadores, nos termos do PCMSO; ou d) indicada causa relacionada às condições de trabalho na análise de acidentes e doenças relacionadas ao trabalho, nos termos do PGR.
Fora dessas hipóteses, a AET não é exigida pela norma — o que não impede a organização de fazê-la por decisão técnica.
Quando a AET é devida, o 17.3.3 define as etapas: análise da demanda, análise do funcionamento da organização e da atividade, justificativa dos métodos escolhidos, diagnóstico, recomendações e restituição dos resultados “com a participação dos trabalhadores”. E a norma é explícita ao dizer que a análise não está presa a métodos, técnicas ou ferramentas específicos.
O 17.3.4 dispensa da elaboração da AET as Microempresas e Empresas de Pequeno Porte enquadradas nos graus de risco 1 e 2 e também o Microempreendedor Individual. Mas a mesma frase continua: devem “atender todos os demais requisitos estabelecidos nesta NR, quando aplicáveis” — inclusive a avaliação preliminar.
E há exceção à dispensa. Pelo 17.3.4.1, ME e EPP desses graus devem realizar a AET quando observadas as situações das alíneas “c” e “d” do 17.3.2: indicação vinda do acompanhamento de saúde ou causa ligada às condições de trabalho apurada em acidente ou doença.
Três obrigações fecham o capítulo 17.3 e quase sempre ficam de fora dos resumos da Norma Regulamentadora 17. O 17.3.6 exige planos de ação, nos termos do PGR, tanto para as medidas decorrentes da avaliação preliminar quanto para as recomendações da AET. O 17.3.7 determina que o relatório da AET, quando realizada, fique à disposição na organização pelo prazo de 20 anos. E o 17.3.8 obriga a organização a garantir que os empregados sejam ouvidos durante a avaliação ergonômica preliminar e na AET.
Organização do trabalho: ritmo, pausas e carga mental
O capítulo 17.4 é o que mais muda a rotina de uma empresa — e o que a maioria dos resumos trata de passagem. O 17.4.1 lista o que a organização do trabalho deve levar em consideração: as normas de produção; o modo operatório, quando aplicável; a exigência de tempo; o ritmo de trabalho; o conteúdo das tarefas e os instrumentos e meios técnicos disponíveis; e “os aspectos cognitivos que possam comprometer a segurança e a saúde do trabalhador”.
O 17.4.2 trata da sobrecarga muscular estática ou dinâmica do tronco, do pescoço, da cabeça e dos membros: devem ser adotadas medidas técnicas de engenharia, organizacionais e/ou administrativas para eliminar ou reduzir essas sobrecargas, a partir da avaliação preliminar ou da AET.
Já o 17.4.3 lista seis situações que as medidas de prevenção devem evitar, de forma contínua e repetitiva: posturas extremas ou nocivas; movimentos bruscos de impacto dos membros superiores; uso excessivo de força muscular; frequência de movimentos capaz de comprometer a saúde; exposição a vibrações, nos termos do Anexo I da NR-09; e exigência cognitiva que possa comprometer a segurança e a saúde do trabalhador.
Pelo 17.4.3.1, as medidas de prevenção devem incluir duas ou mais destas alternativas: a) pausas para propiciar a recuperação psicofisiológica dos trabalhadores, “que devem ser computadas como tempo de trabalho efetivo”; b) alternância de atividades que permita variar as posturas, os grupos musculares ou o ritmo; c) alteração da forma de execução ou organização da tarefa; e d) outras medidas técnicas recomendadas na avaliação preliminar ou na AET.
O 17.4.3.1.1 fecha a saída: quando não for possível adotar as alternativas “c” e “d”, pausas e alternância de atividades passam a ser obrigatórias.
E o 17.4.3.2 traz dois requisitos mínimos: a introdução das pausas não pode ser acompanhada de aumento da cadência individual, e as pausas devem ser usufruídas fora dos postos de trabalho. A saída para satisfação das necessidades fisiológicas é assegurada à parte, pelo 17.4.3.3, independentemente da fruição das pausas.
Dois itens costumam passar despercebidos. O 17.4.4 determina que todo e qualquer sistema de avaliação de desempenho para efeito de remuneração e vantagens “deve levar em consideração as repercussões sobre a saúde dos trabalhadores”. E o 17.4.7 manda orientar os superiores hierárquicos diretos para facilitar a compreensão das atribuições e responsabilidades, manter o diálogo aberto, facilitar o trabalho em equipe e estimular tratamento justo e respeitoso nas relações pessoais — com dispensa expressa, no 17.4.7.1, para a organização com até 10 empregados.
Completam o capítulo o 17.4.5, pelo qual a concepção dos postos de trabalho deve considerar os fatores organizacionais e ambientais e facilitar a alternância de posturas, e o 17.4.6, que exige espaços de trabalho e de circulação suficientes para o trabalhador movimentar os segmentos corporais livremente.
Mobiliário, cargas, máquinas e conforto
Os capítulos 17.5 a 17.8 são a parte concreta da Norma Regulamentadora 17 — o que se vê no chão da empresa, e o que a Norma Regulamentadora 17 cobra em mobiliário, cargas, máquinas e conforto ambiental.
| Capítulo | Exigências centrais |
|---|---|
| 17.5 — Cargas | Não se admite transporte manual de carga cujo peso seja suscetível de comprometer a saúde ou a segurança (17.5.1), com redução para trabalhadora mulher e trabalhador menor (17.5.1.1). Locais de pega e depósito organizados para evitar flexões, extensões e rotações excessivas do tronco, e cargas posicionadas o mais próximo possível do trabalhador (17.5.2). |
| 17.6 — Mobiliário | O conjunto do mobiliário deve ter regulagens que o adaptem às características antropométricas dos trabalhadores (17.6.1). Quando o trabalho puder alternar entre em pé e sentado, o posto deve favorecer a alternância (17.6.2). Planos de trabalho com altura compatível, área dentro da zona de alcance e espaço para pernas e pés (17.6.3). |
| 17.7 — Máquinas | Em consonância com a NR-12. Monitores, sinais e comandos projetados para interação clara com o operador, reduzindo erro de interpretação (17.7.2); painel de controle e comandos posicionados para acesso, manejo seguro e visibilidade da informação (17.7.2.1). |
| 17.8 — Conforto | Iluminação apropriada à natureza da atividade (17.8.1), sem ofuscamento, reflexos, sombras e contrastes excessivos (17.8.2), seguindo os níveis da NHO 11 da Fundacentro em ambientes internos (17.8.3). Em atividades de solicitação intelectual e atenção constantes, conforto acústico e térmico (17.8.4), com ruído de fundo aceitável de até 65 dB(A) nos demais casos (17.8.4.1.2). |
O capítulo das cargas tem os limites mais concretos da norma. O 17.5.2.1 veda o levantamento não eventual de cargas que possa comprometer a segurança e a saúde quando a distância de alcance horizontal da pega for superior a 60 cm em relação ao corpo. O 17.5.4 manda adotar uma ou mais medidas de prevenção na movimentação manual não eventual — entre elas, alternância com outras atividades ou pausas suficientes entre períodos não superiores a duas horas. O 17.5.5 exige orientação a todo trabalhador designado para esse transporte, e o 17.5.6 esclarece que o capítulo não se aplica ao transporte e à movimentação de pessoas.
Reunindo tudo, a Norma Regulamentadora 17 tem poucos números fechados — e são estes:
| Número | O que ele define | Item |
|---|---|---|
| 60 cm | Distância máxima de alcance horizontal da pega no levantamento não eventual de cargas. | 17.5.2.1 |
| 2 horas | Intervalo máximo entre as alternâncias ou pausas na movimentação manual não eventual de cargas. | 17.5.4, “e” |
| 65 dB(A) | Ruído de fundo aceitável nos ambientes de trabalho, para efeito de conforto acústico. | 17.8.4.1.2 |
| 20 anos | Prazo em que o relatório da AET deve ficar à disposição na organização. | 17.3.7 |
| 10 empregados | Porte até o qual a organização é dispensada de orientar os superiores hierárquicos diretos. | 17.4.7.1 |
| 90% | Proporção dos trabalhadores cujas características antropométricas o mobiliário do checkout deve atender. | Anexo I, 3.1 |
O mobiliário é onde a norma ainda mantém requisitos prescritivos, e eles costumam ficar de fora dos resumos. O 17.6.4 prevê o uso de apoio para os pés sempre que o trabalhador não puder manter a planta dos pés completamente apoiada no piso. O 17.6.6 fixa os requisitos mínimos dos assentos: a) altura ajustável à estatura do trabalhador e à natureza da função exercida; b) sistemas de ajuste e manuseio acessíveis; c) pouca ou nenhuma conformação na base do assento; d) borda frontal arredondada; e e) encosto com forma adaptada ao corpo para proteção da região lombar. Já o 17.6.7 exige, nas atividades realizadas em pé, assentos com encosto para descanso em locais onde possam ser utilizados durante as pausas — esses, pelo 17.6.7.1, dispensados dos requisitos do 17.6.6.
Note o 17.4.3, que atravessa todos eles: a partir da avaliação preliminar ou da AET, devem ser implementadas medidas que evitem posturas extremas ou nocivas, movimentos bruscos de impacto, uso excessivo de força muscular e frequência de movimentos capaz de comprometer a saúde.
NR 17 e teletrabalho: o que a norma realmente diz
Circula bastante conteúdo atribuindo à NR 17 obrigações de trabalho em casa: altura do monitor, termo de responsabilidade, guia de autoconfiguração do posto. Conferimos o texto oficial e o resultado é categórico: a palavra “teletrabalho” não aparece uma única vez na Norma Regulamentadora 17 — nem no corpo da norma, nem nos dois anexos.
Da CLT, não da NR 17. O artigo 75-E, incluído pela Lei nº 13.467/2017, determina que o empregador “deverá instruir os empregados, de maneira expressa e ostensiva, quanto às precauções a tomar a fim de evitar doenças e acidentes de trabalho”. O parágrafo único acrescenta que o empregado “deverá assinar termo de responsabilidade comprometendo-se a seguir as instruções fornecidas pelo empregador”.
Isso não afasta a norma. O campo de aplicação do 17.2.1 alcança as situações de trabalho de quem tem empregado regido pela CLT, e a avaliação ergonômica preliminar continua devida onde a atividade demanda adaptação — com o trabalhador em casa ou na empresa.
A consequência prática é direta: quem trabalha em casa não está fora da norma, mas quem procura na NR 17 um item sobre altura de tela não vai encontrar. O que existe são os requisitos gerais, que valem onde quer que o posto esteja — regulagens do mobiliário (17.6.1), planos de trabalho que proporcionem boa postura, visualização e operação (17.6.3), apoio para os pés (17.6.4) e os assentos do 17.6.6.
A NR 17 na prática: construção, indústria e varejo
A Norma Regulamentadora 17 é geral, mas cada setor encosta num capítulo diferente dela. Os três recortes abaixo saem do próprio texto da norma.
Canteiro de obras e indústria. O peso cai no capítulo 17.5. Valem o limite de 60 cm de alcance horizontal da pega (17.5.2.1), a organização dos locais de pega e depósito para não obrigar flexões, extensões e rotações excessivas do tronco (17.5.2 “a”), o posicionamento das cargas o mais próximo possível do trabalhador, com espaço para os pés (17.5.2 “b”), e as medidas do 17.5.4 — meios técnicos facilitadores, adequação do peso e do tamanho da carga, limitação da duração e da frequência dos movimentos, redução das distâncias e alternância ou pausas entre períodos não superiores a duas horas. Para impulsão ou tração de carros de mão e vagonetes, o 17.5.3 manda observar carga, frequência, pega e distância percorrida. E o 17.5.5 exige orientação a todo trabalhador designado para o transporte manual não eventual.
Comércio e varejo. Quem opera com autosserviço e checkout cumpre a norma geral e o Anexo I, cujo item 3.1 exige mobiliário compatível com as características antropométricas de 90% dos trabalhadores, com capítulos próprios de manipulação de mercadorias, organização do trabalho, aspectos psicossociais e capacitação. Para o trabalho realizado em pé fora do checkout, vale o 17.6.7: assentos com encosto para descanso em locais onde possam ser utilizados durante as pausas.
Atendimento e call center. Aplica-se o Anexo II, e vale repetir que ele alcança setores e postos dedicados a essa atividade dentro de organizações cuja atividade-fim é outra. É o conjunto mais detalhado da norma, com headset individual, requisitos dimensionais de bancada e regime próprio de pausas.
Como a Norma Regulamentadora 17 conversa com o PGR, o PCMSO e o eSocial
A NR 17 não é uma ilha. O 17.3.5 determina que devem integrar o inventário de riscos do PGR os resultados da avaliação ergonômica preliminar e, quando for o caso, a revisão da identificação dos perigos e da avaliação dos riscos.
Na outra ponta, a alínea “c” do 17.3.2 liga a AET ao acompanhamento de saúde no PCMSO: foi o médico que identificou o sinal, é a ergonomia que investiga a causa. O desenho completo do PGR na NR-1 mostra onde essas peças se encaixam.
Há ainda a fronteira com os fatores psicossociais, e aqui uma precisão importa, porque muito material atribui o tema à norma errada. Quem trata disso não é a NR 17, e sim a NR-1. A Portaria MTE nº 1.419, de 27 de agosto de 2024, inseriu os fatores de risco psicossociais relacionados ao trabalho entre os fatores ergonômicos do gerenciamento de riscos ocupacionais; a Portaria MTE nº 765, de 15 de maio de 2025, fixou a entrada em vigor em 26 de maio de 2026. A exigência, portanto, já está valendo. É assunto dos riscos psicossociais na NR-1.
Falta a ponta que quase nenhum material cobre: o eSocial. Os riscos ergonômicos identificados na avaliação não são enviados como agente nocivo no evento S-2240 — Condições Ambientais do Trabalho, porque esse evento registra os fatores da Tabela 24 do eSocial, de natureza previdenciária. O que a avaliação preliminar e a AET produzem alimenta o PGR e o inventário de riscos ocupacionais.
Quando não há agente da Tabela 24 a declarar, o Manual de Orientação do eSocial indica o código 09.01.001, de ausência de fator de risco ou de atividades previstas no Anexo IV do Decreto nº 3.048/1999. E quando existe acidente ou doença relacionada a fator ergonômico, entram os eventos S-2210 — Comunicação de Acidente de Trabalho e S-2220 — Monitoramento da Saúde do Trabalhador. Confundir as duas camadas é erro comum: a ergonomia vive no PGR, e o eSocial recebe apenas o que a sua tabela prevê.
Quem é obrigado e o que a fiscalização olha
Quem é obrigado a cumprir a Norma Regulamentadora 17? Pelo campo de aplicação do 17.2.1, a resposta curta é: praticamente toda organização com empregado celetista. Não há recorte por porte nem por setor para a aplicação da norma — o porte só aparece na dispensa específica da AET, no 17.3.4.
O que a Inspeção do Trabalho encontra documentado, na prática, é a avaliação ergonômica preliminar registrada (17.3.1.2.1), os riscos ergonômicos no inventário do PGR (17.3.5) e, quando houver gatilho, a AET com as etapas do 17.3.3 — incluindo a restituição dos resultados aos trabalhadores.
Ausência de registro é o achado mais comum, porque a avaliação até acontece, mas não fica documentada. Sem registro, do ponto de vista da fiscalização, ela não aconteceu.
Como adequar a empresa: passo a passo
Antes do passo a passo, o diagnóstico gratuito de SST mostra em poucos minutos se a ergonomia já foi avaliada na sua empresa, ao lado de PGR, PCMSO e treinamentos. É uma avaliação inicial, que não substitui a AEP.
Guia visual para aplicar a avaliação ergonômica e integrar as ações ao PGR.
- 1
Mapeie as situações de trabalho que demandam adaptaçãoPelo critério do 17.3.1 — natureza e conteúdo das atividades, não o nome do cargo.
- 2
Faça e registre a avaliação ergonômica preliminarA abordagem pode ser qualitativa, semiquantitativa ou quantitativa, conforme o risco. O registro é exigência expressa.
- 3
Leve os resultados para o inventário de riscos do PGRComo manda o 17.3.5.
- 4
Verifique os quatro gatilhos da AETDo 17.3.2. Se algum estiver presente, a análise aprofundada passa a ser devida — inclusive em ME e EPP de grau 1 e 2, nas hipóteses “c” e “d”.
- 5
Preveja planos de ação no PGRPara as medidas da avaliação preliminar e para as recomendações da AET, como exige o 17.3.6.
- 6
Implemente as medidasDo 17.4.2 e 17.4.3 — com duas ou mais das alternativas do 17.4.3.1 — e ajuste mobiliário, cargas, máquinas e conforto conforme os capítulos 17.5 a 17.8.
- 7
Ouça os empregadosDurante a avaliação preliminar e a AET (17.3.8) e guarde o relatório da AET por 20 anos (17.3.7).
- 8
Restitua os resultados aos trabalhadoresE revise as intervenções, com a participação deles, como pede o 17.3.3.
- 9
Confira se a sua atividade cai em um dos anexosCheckout ou teleatendimento. Se cair, há um segundo conjunto de requisitos a cumprir.
A Norma Regulamentadora 17 não traz uma lista de “documentos obrigatórios”. O que ela traz são registros exigidos item a item — e é a presença ou a ausência deles que a Inspeção do Trabalho constata:
1. Avaliação ergonômica preliminar registrada (17.3.1.2.1). 2. Resultados da avaliação no inventário de riscos do PGR, com a revisão dos perigos quando indicada pela AET (17.3.5). 3. Planos de ação nos termos do PGR, para as medidas da avaliação preliminar e para as recomendações da AET (17.3.6). 4. Relatório da AET, quando realizada, à disposição na organização pelo prazo de 20 anos (17.3.7). 5. Evidência de que os empregados foram ouvidos na avaliação preliminar e na AET (17.3.8), e de que houve restituição dos resultados com a participação deles (17.3.3).
Como a Bioproteção executa
Tudo acima é obrigação legal. Esta seção descreve prática da Bioproteção, que é outra coisa.
O que vemos na porta de entrada: 8 em cada 10 empresas chegam até nós com a documentação de SST irregular ou ausente. É número da nossa operação — 807 empresas atendidas, posição de setembro de 2026 —, não de pesquisa de mercado. Em NR 17, o achado típico não é ausência total: é avaliação feita e não registrada, ou registrada fora do inventário de riscos.
Fazemos a avaliação ergonômica preliminar e, quando há gatilho do 17.3.2, a análise ergonômica do trabalho, com o resultado já integrado ao inventário de riscos do PGR — para não gerar dois documentos que não conversam entre si.
Sua empresa tem a avaliação ergonômica registrada?
A Bioproteção faz a avaliação preliminar, a AET quando devida e a integração ao PGR, conforme os serviços contratados. Conheça a assessoria em SST.
Perguntas frequentes sobre a Norma Regulamentadora 17
O que é a Norma Regulamentadora 17?
É a NR de ergonomia. Pelo item 17.1.1, ela estabelece diretrizes e requisitos que permitam a adaptação das condições de trabalho às características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar conforto, segurança, saúde e desempenho eficiente no trabalho.
Qual é a versão vigente da NR 17?
A redação em vigor foi dada pela Portaria MTP nº 423, de 07/10/2021. A última alteração é a Portaria MTP nº 4.219, de 20/12/2022, que apenas acrescentou “e de Assédio” ao nome da CIPA nos anexos. Não houve atualização em 2026.
Qual é a diferença entre AEP e AET?
A avaliação ergonômica preliminar (17.3.1) é a etapa de identificação, exigida de toda organização nas situações que demandam adaptação. A Análise Ergonômica do Trabalho (17.3.2) é o aprofundamento, exigido só nas quatro hipóteses que a própria norma lista.
Toda empresa é obrigada a fazer AET?
Não. Pelo item 17.3.4, ME e EPP de graus de risco 1 e 2 e o MEI não são obrigados a elaborar a AET. Mas o 17.3.4.1 traz a exceção: ME e EPP desses graus devem fazê-la nas situações das alíneas “c” e “d” do subitem 17.3.2.
A Norma Regulamentadora 17 se aplica a qualquer empresa?
O campo de aplicação, no item 17.2.1, alcança todas as situações de trabalho de organizações e de órgãos públicos da administração direta e indireta, além dos Poderes Legislativo e Judiciário e do Ministério Público que tenham empregados regidos pela CLT.
O que são os anexos I e II da NR 17?
O Anexo I trata do trabalho dos operadores de checkout e alcança supermercados, hipermercados e comércio atacadista. O Anexo II trata do teleatendimento e telemarketing, nas modalidades ativo e receptivo, incluindo call centers.
Os riscos ergonômicos precisam entrar no PGR?
Sim. Pelo item 17.3.5, devem integrar o inventário de riscos do PGR os resultados da avaliação ergonômica preliminar e, quando for o caso, a revisão da identificação dos perigos e da avaliação dos riscos.
O que a NR 17 exige sobre iluminação e ruído?
Iluminação apropriada à atividade, sem ofuscamento nem contrastes excessivos, seguindo os níveis da NHO 11 da Fundacentro em ambientes internos. Para conforto acústico em atividades de atenção constante, o ruído de fundo aceitável é de até 65 dB(A).
Fontes: NR-17 — Ergonomia (MTE), texto oficial, itens 17.1 a 17.8, Anexos I e II — redação da Portaria MTP nº 423, de 07/10/2021, com a alteração da Portaria MTP nº 4.219, de 20/12/2022 · NR-1, itens 1.5.4 e 1.5.5.1.1 · NHO 11 da Fundacentro, versão 2018 · Lei nº 14.457/2022 · CLT, art. 75-E (Lei nº 13.467/2017) · Manual de Orientação do eSocial (MOS), versão 2.4.02, eventos S-2210, S-2220 e S-2240 · Portaria MTE nº 1.419, de 27/08/2024, e Portaria MTE nº 765, de 15/05/2025 (NR-1). Texto vigente na data de publicação.


